terça-feira, 18 de julho de 2017

Amélia ou Genoveva



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Escrito por Mariana Albanese   

21 de julho - dia internacional do trabalhador doméstico

Foi no carnaval de 1942 que começamos a sentir saudade da Amélia. Sem vaidade, passava fome, mas achava bonito não ter o que comer. E, sendo mulher de verdade, caiu nas graças do povo e virou até verbete do dicionário Aurélio: amélia [Do antr. Amélia, do samba Ai! que saudade da Amélia, de autoria de Ataulfo Alves e Mário Lago.] S. f. Bras. Pop. 1. Mulher que aceita toda sorte de privações e/ou vexames sem reclamar, por amor a seu homem.

Afinal, quem foi a "valorosa" dama cantada no clássico samba? As versões coincidem num ponto: chamava-se Amélia dos Santos Ferreira e trabalhou como empregada doméstica na casa da cantora Aracy de Almeida.

Em entrevista à revista Radiolândia, em 1953, o poeta Mário Lago disse que foi o irmão de Aracy, Almeidinha, quem contou a história da mulher que "lavava, engomava, cozinhava, apanhava e não reclamava".

Mário achou que dava samba. Ataulfo Alves arrumou a letra do poeta, gravou, e Amélia virou sinônimo nacional de mulher submissa. Aracy também reivindicava a autoria. Certa vez disse que sugeriu a frase "Amélia que era mulher de verdade" a Wilson Batista; ele, sem tempo para musicá-la, passou para Ataulfo.

Para aumentar as divergências, na ocasião da morte de Amélia, em 27 de julho de 2001, Mário disse que a escolha do nome da personagem da canção era apenas casual; que não tinha se inspirado diretamente em ninguém: "Poderia ter sido Genoveva. Mas aí talvez não desse uma boa música."

SAIBA MAIS
CD Mário Lago - 90 anos, Revivendo Músicas.

 

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